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Pedro estava trabalhando tranquilamente, mas não sabia que na baia ao lado ela o observava.

Sua agilidade em teclar e conversar com os outros foi o único dom que sobrou daquele sujeito que perdera a visão aos 13 anos devido a um acidente doméstico com produtos de limpeza.

Marina era muito afim dele. Como um cara tão sagaz e inteligente conseguira chegar aos seus 26 anos com os próprios pés? Era o que ela mais se perguntava.

Pedro desligara o telefone onde estava em uma ligação com seu cliente e ela prontamente veio brincar:

- Hey, Pê! E ai, conseguiu contornar a situação com eles? Você me disse que estavam furiosos pelo projeto que não entregamos no mês passado…

Pedro respondera:

- Pois é Má, nada que um bom papo pra aliviar e estreitar ainda mais o relacionamento, não é?! Falei com o Rapha e daremos um descontão na próxima entrega!

Marina ficara ali, parada e olhando fixamente para ele, que teclava no braile e sem virar o rosto para sua direção. Era o que ela mais queria ao conversar com aquele sujeito.

Mas o que ela não sabia era que Pedro, por falta da visão, percebera na respiração dela aquilo que chamava mais a atenção. Ela parecia calma ao falar e o ar que expelia era suave.

Em seus 26 anos anos, metade na escuridão, ele nunca sentira uma respiração tão sublime. No caos de sua vida (a escola onde teve que aprender tudo de novo após o acidente, o hospital, os “novos” amigos, os bares e as baladas, a faculdade, o preconceito, o corre-corre de desconhecidos na rua) tudo era aflituoso e altamente monótono.Exceto a respiração de Marina.

Ao perceber que ela bateu em retirada para pegar um café, ele resolveu procurar sua bengala para segui-la.

Continua…ou não.

White Line

A pista estava cheia e o som alto. Seria mais uma daquelas noites insanas em que o copo de conhaque abre um clarão a sua frente e traz uma imensidão de oportunidades sociais.

Um copo na mão, um sorriso de canto, um cigarro na orelha, um jeitinho rock’n’roll cafa e ele sabia que ali estava o lado sombrio da força, como gostava de fazer metáforas com as coisas que conviveu na sua infância.

O que ele não sabia era que ali havia ela. Imponente, linda, branca. O que estava escondido nos mais doces trejeitos e era capaz de derrubar qualquer homem que se metesse a passar a noite sem ela.

Luzes usadas na noite, trazem visão para os cegos e bebados.

Luzes usadas na noite, trazem visão para os cegos e bebados.


Música, bebidas e uma vontade muito grande de experimentá-la. Sabia que ali estava o início de uma aventura e o fim do conhaque.

O Maloqueiro

Não sabia mais o que fazer com aquilo em suas mãos. Por anos desejou ter alguém ou algo que pudesse elevá-lo. Ele queria ser Deus.

No momento em que aquele belo Ipod brilhou em sua mão, se sentiu maior. Não era Deus, mas sim, amigo de Jobs.

Correu desesperadamente para sua casa.

O que eu sei dele é isso. Depois me contaram que ele foi embora correndo pra casa e lá morreu com um tiro.

–x–

Nota do autor: Como as histórias de uma imaginação fértil podem acontecer, as histórias da vida também.

D: It’s written.

Ilustração do filme Slumdog Millionaire.

Ilustração do filme Slumdog Millionaire.

Mais um pouco.

Ele não sabia. Pensou que até a meia-noite, ainda conseguiria sustentar mais alguns segundos da sua respiração.

Ao sentar-se ofegante na mesa e digitar em seu notebook, percebeu que a porta dos fundos estava entreaberta e que um vulto se aproximava.

Tarde demais. Um tiro, sua cara no teclado e os pontapés vindos do outro lado da mesa, derrubando tudo, inclusive a ele.

Essa é a outra visão do post anterior.
Ou mero início de uma conturbada história…

Só mais um pouco. Só. Mais. Pouco.

Por saber demais…

Abriu seu bloco de notas.
Anotou…correu.
O pulsar da música em seu ipod naquele instante, fazia cruzar a esquina e entrar em casa afobado.

Ligou seu pc e naquela escuridão, apenas o estalar dos dedos no teclado ecoavam na casa.

De repente, a porta dos fundos se abria.

Um vulto se aproximava.

Saber demais, tem seu preço.

Um estouro. Nada mais.

Apenas um cessar do estalar de dedos no teclado e um pontapé dado na mesa…

Continua…

Escrito e postado ao som de Requiem for a Dream.

Egoamistad

Dedico aos amigos que se omitem e a você que está aí calado agora vendo um monte de merda acontecer.

Desvio de conduta para viver melhor?

Desvio de conduta para viver melhor?


Autonomia
Dead Fish

Disse que daqui pra frente seguiria só
Não se prenderia a nada buscando algo melhor
Na esperança de conseguir não se engane
Hora de virar as costas e seguir…

Um dia ia acontecer
Sem deuses, sem mestres e sem mãos que aparem
Orgulhoso em ver, daqui pra frente só você

Ouça a música e dance como um louco buscando por autonomia
deixe seu coração bater
não sinta vergonha feche os olhos agora guie sem as mãos
deixe seu coração bater

Comprador aquele não era mais o caminho
Estar na comunidade era morrer
Teve coragem de dizer “isso não me diz nada mais”
Preferiu enfrentar todas as acusações

E pra atirar no escuro
Honestidade pra manter o sangue quente
Orgulhoso em ver, daqui pra frente só você

Ouça a música e dance como um louco buscando por autonomia
Deixe seu coração bater
Não sinta vergonha feche os olhos agora guie sem as mãos
deixe seu coração bater

Nem errado, nem certo
Nem bem, nem mal
Nem rico, nem pobre
Vencedor ou perdedor
Humilde ou soberbo
Apenas trilhando algo que é só seu
Sempre fora de moldes
Criando outros clichês

Ouça a música e dance como um louco buscando por autonomia
Deixe seu coração bater
Não sinta vergonha feche os olhos agora guie sem as mãos
Deixe seu coração bater

Por liberdade e mais ação
Deixe seu coração bater
Por mais um sonho, outra mentira
Deixe seu coração bater

Sempre pensei em ser alguém na vida (famoso). Aliás, quem nunca pensou nisso?

Mas com o tempo, tudo se esvaiu entre os dedos. Por mais que meus pais me conformassem que sonhos não são como no cinema; aprendi que é preciso ser “duro” consigo mesmo e lutar para sobreviver.

Portanto minhas metas, ideais, sonhos… tudo isso ficou pra trás. Cresci conformado com o que mandavam eu comer; com o que achavam que era tendência; com o que era atual.

Engraçado…olho hoje pra minha vida e vejo como mudei. Acredito que por mais que se crie um indivíduo, o mundo molda-lhe a custa de dor, sofrimento e relações diplomáticas escassas.

Hoje colhemos aquilo que plantamos. Não tivemos amor o suficiente para nos relacionar. Somos nada mais do que aquilo que o sistema capitalista moldou por sua arrogância e autoritarismo subliminar.

Bom, é melhor eu não entrar em tantas idéias difusas, já que as palavras tomam um milhão de interpretações quando lidas por pessoas acometidas de tantas outras razões (ou emoções).

É preciso falar menos e fazer mais. Armar o concreto a partir dessa inquietação e angústia que sentimos e botar as idéias afloradas em prática.

O ser é mais do que ser. (Contrariando Heráclito de Éfeso)
O ser é mais do que ser. (Contrariando Heráclito de Éfeso)

“…mãos feitas para construir…” (Rodrigo – Dead Fish)

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